O Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite a qualquer pessoa comprar títulos públicos pela internet. Com investimento mínimo de aproximadamente R$ 30, é uma das formas mais acessíveis e seguras de começar a investir no Brasil. Em setembro de 2026, com a Selic a 14%, os títulos oferecem rendimentos que superam a poupança com folga.
Os três tipos de títulos
Tesouro Selic: rende de acordo com a taxa Selic (atualmente 14% ao ano). É o título mais conservador e mais indicado para reserva de emergência. Pode ser resgatado a qualquer momento com mínima oscilação de preço. Ideal para quem está começando ou precisa de liquidez.
Tesouro IPCA+: rende a inflação (IPCA) mais uma taxa fixa. Em setembro, os títulos mais longos oferecem IPCA + 6,2% ao ano, o que garante ganho real acima da inflação. É indicado para objetivos de longo prazo como aposentadoria ou compra de imóvel. O preço oscila no curto prazo (marcação a mercado), mas o rendimento é garantido se mantido até o vencimento.
Tesouro Prefixado: rende uma taxa fixa definida no momento da compra. Se o título paga 13,5% ao ano, esse será o retorno independentemente do que aconteça com a Selic ou a inflação. Indicado para quem acredita que os juros vão cair e quer travar a taxa atual.
Custos e impostos
A B3 cobra uma taxa de custódia de 0,20% ao ano sobre o valor investido. Para aplicações no Tesouro Selic até R$ 10 mil, a taxa é isenta, o que torna o título ainda mais atrativo para pequenos investidores.
O Imposto de Renda segue a tabela regressiva: 22,5% sobre o rendimento para resgates em até 180 dias, reduzindo gradualmente até 15% para aplicações acima de 720 dias. O imposto incide apenas sobre o lucro, não sobre o valor investido.
Não há taxa de administração no Tesouro Direto. Algumas corretoras cobravam essa taxa no passado, mas a prática foi eliminada pela concorrência. Confirme que sua corretora tem taxa zero antes de investir.
Como abrir conta e comprar
O processo leva poucos minutos. Abra conta em uma corretora habilitada (Nubank, XP, Rico, Clear, BTG, entre outras), complete o cadastro com CPF e documento de identidade, e transfira o valor desejado. A compra é feita diretamente no site do Tesouro Direto ou pelo aplicativo da corretora.
Ao escolher o título, defina seu objetivo. Para reserva de emergência, Tesouro Selic. Para aposentadoria ou faculdade dos filhos, Tesouro IPCA+ com vencimento longo. Para travar uma taxa alta, Prefixado.
A compra mínima varia conforme o título e o preço unitário, mas gira em torno de R$ 30 a R$ 40 para a fração mínima (0,01 título). Não é preciso comprar um título inteiro.
Riscos e cuidados
O risco de crédito do Tesouro Direto é o menor possível: o emissor é o governo federal. Para que o investidor perdesse dinheiro por calote, o próprio Estado brasileiro precisaria declarar moratória, um cenário extremo que não ocorre desde 1990.
O risco de mercado existe para quem resgata antes do vencimento. Títulos IPCA+ e Prefixados podem ter seu valor reduzido temporariamente se os juros futuros subirem. A perda só se concretiza se o investidor vender nesse momento. Mantendo até o vencimento, o retorno contratado é garantido.
O Tesouro Selic tem oscilação mínima e é a opção mais segura para quem quer evitar qualquer surpresa. É o título indicado para quem está investindo pela primeira vez.
Vale a pena em 2026?
Com a Selic a 14% e projeção de queda gradual nos próximos anos, o momento é favorável para todos os tipos de títulos do Tesouro. O Tesouro Selic rende mais de 1% ao mês. O IPCA+ oferece taxas reais historicamente altas. O Prefixado permite travar rendimentos que podem não estar disponíveis em 2027 ou 2028.
Para quem está começando, investir R$ 100 por mês no Tesouro Selic é um primeiro passo concreto para construir patrimônio. Em 12 meses, esses R$ 1.200 terão rendido cerca de R$ 80 em juros. Parece pouco, mas é o início de um hábito que, mantido ao longo dos anos, faz diferença real.
