Contato
Educação Financeira

IPCA-15 registra deflação de 0,40% em agosto: a inflação está realmente cedendo?

O IPCA-15 de agosto registrou deflação de 0,40%, a primeira leitura negativa do ano. A prévia da inflação oficial, calculada pelo IBGE, foi puxada pela queda nos preços de energia elétrica e transportes, que mais do que compensaram a alta persistente de alimentos e serviços.

O resultado animou parte do mercado, mas é preciso olhar além do número mensal para entender se a tendência de queda é sustentável. O IPCA acumulado em 12 meses segue acima de 5%, e a projeção do Boletim Focus para o fechamento de 2026 é de exatamente 5,00%, acima do teto da meta de inflação.

O que puxou a deflação

A energia elétrica foi o principal fator. A troca da bandeira tarifária, que passou de amarela para verde em agosto, reduziu o custo da conta de luz para os consumidores. Esse tipo de efeito é pontual e não se repete nos meses seguintes, a menos que a bandeira mude novamente.

Transportes também contribuíram com queda. A redução temporária no preço das passagens aéreas, típica do período entre férias de julho e feriados de setembro, e o recuo pontual nos preços de combustíveis ajudaram a puxar o grupo para baixo.

Alimentos e serviços seguem pressionados

Enquanto energia e transportes ajudaram a puxar o índice para baixo, alimentação e serviços continuaram subindo. Alimentos no domicílio acumulam alta de 5,68% nos primeiros cinco meses do ano, ritmo que se manteve em agosto.

A inflação de serviços, que inclui saúde, educação, seguros e serviços pessoais, é considerada mais persistente pelos economistas. Ela reflete o mercado de trabalho aquecido e o reajuste de contratos indexados à inflação passada. Mesmo com a desaceleração da economia, a inflação de serviços recua de forma lenta.

O que o Banco Central observa

O Copom não toma decisões com base em um único mês de inflação. A análise do Banco Central considera a tendência dos núcleos de inflação (medidas que excluem itens voláteis como energia e alimentos in natura), as expectativas de inflação futura e o balanço de riscos.

Os núcleos do IPCA-15 de agosto mostraram desaceleração modesta, o que é um sinal positivo, mas insuficiente para alterar a estratégia de cortes graduais de 0,25 ponto na Selic. A deflação do índice cheio foi influenciada por fatores pontuais que o Copom desconta na análise.

Inflação está caindo ou não?

A resposta curta é: está, mas devagar. O pico inflacionário ficou para trás (o IPCA chegou a 6,3% em meados de 2025), e a tendência é de convergência lenta em direção à meta. O problema é que a velocidade dessa convergência depende de fatores que estão parcialmente fora do controle do Banco Central.

O preço dos alimentos é determinado por clima, câmbio e oferta global. O petróleo depende de geopolítica e decisões da OPEP+. A inflação de serviços reflete o mercado de trabalho e a inércia dos contratos indexados. Nenhum desses fatores cede rapidamente apenas porque a Selic está alta.

O que esperar até dezembro

O mercado projeta que o IPCA encerre 2026 em 5,00%, com viés de alta caso o petróleo permaneça caro e os alimentos continuem pressionados. A deflação de agosto foi um alívio pontual, não o início de uma tendência de preços em queda generalizada.

Para o consumidor, isso significa que o poder de compra seguirá apertado até o final do ano. Reajustes salariais próximos de 5% apenas repõem a inflação, sem ganho real. A boa notícia é que os juros altos, embora pesem no crédito, garantem retorno expressivo para quem consegue poupar, criando um incentivo para quem busca proteger o patrimônio da corrosão inflacionária.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de produto. Rentabilidade passada não garante resultados futuros e condições de crédito variam conforme análise de cada instituição. Antes de decidir, avalie seu perfil e consulte um profissional habilitado.
LA

Lucas Andrade

Editor-chefe e Especialista em Criptoativos

Jornalista com pós-graduação em Economia Digital e mais de 8 anos de experiência cobrindo mercados financeiros e tecnologia. Responsável pela linha editorial e revisão de conteúdo do CryptoWorld.

Ver todos os artigos de Lucas Andrade