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Taxas de rede no Bitcoin e no Ethereum: como funcionam e como pagar menos

Quem envia bitcoin ou ether de uma carteira para outra percebe que, além do valor transferido, sempre há uma taxa. Ela não vai para a corretora nem para o dono da carteira: é paga à própria rede, como remuneração para quem processa e registra as transações. Entender como essa taxa funciona ajuda a evitar gastos desnecessários.

Por que existem taxas de rede

Os blocos de uma blockchain têm espaço limitado. Quando muita gente quer transacionar ao mesmo tempo, as transações disputam esse espaço, e quem paga mais tende a ser processado primeiro. Por isso a taxa não é fixa: ela sobe nos momentos de congestionamento e cai quando a rede está tranquila.

Como funciona no Bitcoin

No Bitcoin, a taxa depende do tamanho da transação em dados, medido em bytes virtuais (vB), e não do valor enviado. Enviar R$ 100 ou R$ 100 mil pode custar a mesma taxa, se as transações tiverem o mesmo tamanho.

A cotação da taxa é dada em satoshis por byte virtual (sat/vB). Os mineradores escolhem quais transações incluir em cada bloco, priorizando as que pagam mais por byte. As transações que esperam confirmação ficam em uma fila chamada mempool, que pode ser acompanhada em sites públicos.

Alguns fatores deixam a transação maior e mais cara:

  • Muitas entradas: se o saldo da carteira veio de vários depósitos pequenos, a transação precisa juntar todos eles e ocupa mais espaço.
  • Tipo de endereço: endereços mais modernos, como os que começam com bc1, geram transações menores do que os formatos antigos.

Como funciona no Ethereum

No Ethereum, o custo é medido em gas, a unidade de esforço computacional da rede. Uma transferência simples de ether consome 21.000 unidades de gas. Operações com contratos inteligentes, como trocas em corretoras descentralizadas, consomem muito mais.

O preço de cada unidade de gas é cotado em gwei, uma fração do ether. Desde a atualização London, de agosto de 2021, a taxa tem duas partes: uma taxa base, definida automaticamente pela rede conforme a demanda e queimada, e uma gorjeta opcional para o validador, que acelera a inclusão da transação.

Layer 2: o caminho mais barato

Para reduzir custos, surgiram as redes de segunda camada, que processam as transações fora da rede principal e registram apenas um resumo nela. No Bitcoin, a principal é a Lightning Network, voltada para pagamentos pequenos e rápidos. No Ethereum, redes como Arbitrum, Optimism e Base ficaram bem mais baratas depois da atualização Dencun, de março de 2024, que criou um espaço de dados mais barato para elas.

Taxa de rede não é taxa de saque

Ao sacar de uma corretora, a taxa cobrada é definida pela própria empresa e pode ser maior ou menor do que a taxa real da rede. Vale comparar as corretoras e verificar quais redes cada uma aceita para saque, já que algumas permitem enviar por redes de segunda camada com custo menor.

Dicas para pagar menos

  • Acompanhe o nível de congestionamento antes de transacionar e, se não houver pressa, espere horários de menor movimento.
  • No Bitcoin, use endereços modernos e evite acumular muitos depósitos pequenos na mesma carteira.
  • No Ethereum, prefira redes de segunda camada para valores pequenos e operações frequentes.
  • Agrupe transferências quando possível, em vez de fazer várias pequenas.
  • Confira sempre se a rede escolhida no saque é a mesma aceita pela carteira de destino. Enviar pela rede errada pode significar perder os fundos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de produto. Rentabilidade passada não garante resultados futuros e condições de crédito variam conforme análise de cada instituição. Antes de decidir, avalie seu perfil e consulte um profissional habilitado.
LA

Lucas Andrade

Editor-chefe e Especialista em Criptoativos

Jornalista com pós-graduação em Economia Digital e mais de 8 anos de experiência cobrindo mercados financeiros e tecnologia. Responsável pela linha editorial e revisão de conteúdo do CryptoWorld.

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