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Educação Financeira

Alimentos sobem quase 6% em cinco meses e pesam mais no bolso das famílias de baixa renda

O preço da comida subiu mais do que a inflação geral nos primeiros cinco meses de 2026. Segundo dados do IBGE, o grupo de alimentação e bebidas avançou 4,81% no acumulado do ano até maio, enquanto os alimentos consumidos dentro de casa ficaram 5,68% mais caros. O IPCA geral, para efeito de comparação, ficou abaixo desse patamar.

A pressão sobre os preços reflete uma combinação de fatores que vão além da sazonalidade. Eventos climáticos extremos, alta dos fertilizantes importados, crescimento das exportações agropecuárias e concentração do mercado de alimentos formam um cenário que dificulta a queda dos preços no curto prazo.

Quem sente mais a diferença

O impacto não é igual para todas as faixas de renda. Famílias que ganham até 1,5 salário mínimo destinam quase 25% do orçamento total para alimentação. Quando a comida sobe mais do que a inflação geral, são essas famílias que perdem poder de compra de forma mais acentuada.

Em março de 2026, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou comprometer 46,73% da renda líquida para comprar os itens da cesta básica, segundo levantamento do Dieese. A proporção é a mais alta dos últimos três anos.

A reação dos consumidores já aparece nos dados: 58% da população reduziu a quantidade de alimentos comprados em resposta aos preços, de acordo com pesquisas de comportamento de consumo divulgadas no primeiro semestre.

O que subiu mais

Frutas lideram a lista de produtos com os maiores reajustes acumulados. Nos últimos 20 anos, a categoria ficou 180% mais cara. O mamão, caso extremo, acumulou inflação de 661% no período.

Em 2026, carnes e lácteos puxam a alta mais recente. A recomposição dos preços da proteína animal, após um período de queda em 2025, coincidiu com o aumento do custo de ração e insumos. O leite e seus derivados seguem a mesma tendência, pressionados pela entressafra e pela demanda aquecida.

Tubérculos e legumes acumulam 90% de alta em duas décadas. A batata, a cebola e o tomate, presentes na mesa da maioria dos brasileiros, continuam entre os itens com maior volatilidade de preços.

Por que a comida sobe mais que o resto

Um estudo da FGV publicado em março apontou fatores estruturais por trás dessa dinâmica. O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, e o volume exportado saltou de 24,2 milhões de toneladas em 2000 para 209,4 milhões em 2025. Essa expansão reduz a oferta doméstica e pressiona preços internos.

A dependência de fertilizantes importados é outro ponto sensível. O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que utiliza, e qualquer oscilação no câmbio ou nos preços internacionais se reflete diretamente no custo de produção.

A concentração fundiária também contribui. Propriedades voltadas para exportação priorizam commodities como soja e milho, enquanto a produção de alimentos para o mercado interno fica nas mãos de pequenos produtores com menor acesso a crédito e tecnologia.

O que esperar para o segundo semestre

A expectativa dos analistas é de que a inflação de alimentos desacelere na segunda metade do ano, mas siga acima do IPCA geral. A projeção do mercado para o grupo alimentação no domicílio é de alta de 4,6% no acumulado de 2026, contra 1,4% registrado em 2025.

Carnes e lácteos devem liderar os reajustes até dezembro. Bebidas, por outro lado, dependem mais da recuperação do consumo e têm perspectiva de estabilidade.

Como proteger o orçamento

Pesquisar preços entre diferentes redes de supermercados continua sendo a estratégia mais eficaz. Levantamentos do Procon mostram que a diferença de preço de um mesmo produto entre estabelecimentos pode chegar a 40% em capitais como São Paulo e Belo Horizonte.

Substituir proteínas mais caras por alternativas como ovos, frango e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico) é outra forma de manter a qualidade nutricional sem comprometer o orçamento. Comprar frutas e verduras da estação, que costumam ter preços mais baixos por conta da oferta maior, também ajuda.

Feiras livres e sacolões municipais geralmente oferecem preços mais competitivos do que supermercados para itens de hortifruti. Em algumas cidades, programas como o Banco de Alimentos distribuem produtos próximos da validade a preços simbólicos ou gratuitamente.

LA

Lucas Andrade

Editor-chefe e Especialista em Criptoativos

Editor-chefe do CryptoWorld com mais de 6 anos de experiência em jornalismo financeiro e mercado de criptoativos. Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em Finanças Digitais e Blockchain. Acompanha o mercado cripto desde 2017 e é responsável pela curadoria editorial e pela produção de conteúdos educativos sobre finanças descentralizadas, carteiras digitais e segurança de ativos.