Contato
Educação Financeira

Dólar perto de R$ 5,15 em setembro: três fatores que podem mudar o câmbio até dezembro

O dólar comercial iniciou setembro cotado perto de R$ 5,14, acumulando queda de 0,69% nas primeiras sessões do mês. A moeda americana perdeu força após uma sequência de dados econômicos que reforçaram a expectativa de continuidade nos cortes da Selic e de manutenção do diferencial de juros favorável ao real.

O Boletim Focus de 8 de setembro projeta o dólar a R$ 5,20 no encerramento de 2026 e a R$ 5,30 no final de 2027. A faixa entre R$ 5,15 e R$ 5,20 é a que concentra a maior parte das estimativas dos analistas para o mês de setembro.

Super Quarta concentra as atenções

O evento mais importante de setembro para o mercado de câmbio acontece no dia 16, quando Copom e Federal Reserve anunciam suas decisões de juros no mesmo dia, a chamada Super Quarta.

No Brasil, o mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, de 14% para 13,75%. Nos Estados Unidos, a expectativa majoritária é de manutenção da taxa no intervalo atual. Esse cenário, se confirmado, mantém o diferencial de juros entre os dois países em patamar elevado, o que tende a sustentar o real.

O risco está no comunicado. Se o Copom sinalizar que pode acelerar o ritmo de cortes para 0,50 ponto nas próximas reuniões, o diferencial de juros diminui mais rápido do que o mercado precificou. Nesse caso, o dólar pode se valorizar frente ao real. Se o Fed, por outro lado, surpreender com um tom mais brando, o movimento seria o oposto.

Eleições começam a pesar no câmbio

As eleições presidenciais de outubro entraram definitivamente no radar dos investidores. A corrida se tornou mais competitiva nas últimas semanas, e o mercado deixou de trabalhar com um cenário único para precificar múltiplas possibilidades.

Historicamente, o câmbio brasileiro tende a ficar mais volátil nos 60 dias que antecedem uma eleição presidencial. Setores como estatais (Petrobras, Banco do Brasil, Eletrobras) e empresas com forte dependência do cenário fiscal costumam oscilar conforme as pesquisas.

Para o dólar, o efeito depende de como o mercado avalia o compromisso fiscal de cada candidato. Propostas vistas como expansionistas tendem a pressionar o câmbio para cima, enquanto sinais de responsabilidade fiscal podem fortalecer o real.

Petróleo e geopolítica completam o quadro

No cenário externo, o petróleo operando próximo de US$ 100 por barril mantém a inflação global em pauta e limita o espaço dos bancos centrais para afrouxar suas políticas monetárias. As tensões no Oriente Médio, que se intensificaram desde o segundo trimestre, adicionam um prêmio de risco à commodity que beneficia exportadores como o Brasil, mas também encarece insumos e combustíveis.

A economia chinesa, principal destino das exportações brasileiras, segue em ritmo de crescimento moderado. Dados de atividade industrial abaixo do esperado em agosto geraram cautela entre os investidores de commodities e pressionaram moedas de países emergentes.

O que observar nas próximas semanas

Três indicadores merecem acompanhamento para quem quer entender a direção do câmbio:

Comunicado do Copom (16/09): o tom do texto é tão importante quanto o número. Linguagem mais dovish (flexível) sinaliza cortes maiores adiante e pode enfraquecer o real.

Decisão do Fed (16/09): manutenção dos juros é o cenário base, mas o mercado estará atento ao dot plot (projeções dos membros do Fed) e à coletiva de imprensa.

Pesquisas eleitorais: a volatilidade tende a aumentar conforme o primeiro turno se aproxima. Movimentos bruscos no câmbio podem acontecer após a divulgação de pesquisas de intenção de voto.

Para quem precisa comprar dólar

Quem tem viagem marcada ou compromissos em moeda estrangeira pode considerar a estratégia de compra fracionada: adquirir um pouco a cada semana em vez de concentrar tudo em um único momento. Essa abordagem reduz o risco de comprar na cotação mais alta do período.

Para investidores, ativos atrelados ao dólar como fundos cambiais e ETFs de bolsas americanas podem servir como proteção parcial contra oscilações, especialmente em um período eleitoral. A exposição, no entanto, deve ser proporcional ao perfil de risco de cada investidor.

RO

Rafael Oliveira

Jornalista e Analista de Mercado Cripto

Jornalista especializado em tecnologia e mercado financeiro com 5 anos de cobertura do ecossistema de criptomoedas. Graduado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Economia Digital pela FGV. Responsável pela cobertura de notícias, análises de mercado e tendências do setor cripto no CryptoWorld.