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Copom de novembro: a Selic vai cair de novo? O que esperar da reunião dos dias 3 e 4

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 3 e 4 de novembro para decidir o rumo da taxa Selic, hoje em 13,75% ao ano. Será a primeira decisão depois do segundo turno das eleições presidenciais e a penúltima de 2026. A última está marcada para 8 e 9 de dezembro.

A taxa chegou ao patamar atual depois de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. O ciclo começou em março, quando a Selic estava em 15%, e o corte mais recente foi decidido por unanimidade em 16 de setembro.

O que o Copom disse em setembro

No comunicado da última reunião, o comitê evitou prometer novas quedas. O texto afirma que "a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações", ou seja, o tamanho total dos cortes vai depender dos dados que chegarem até lá.

O Banco Central também avaliou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram e ficaram abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, de 4,5%, mas continuam acima do centro da meta, de 3%.

O que o mercado espera

O Boletim Focus de 13 de outubro reduziu de 13,50% para 13,25% a projeção para a Selic no fim de 2026. Na prática, os economistas consultados pelo Banco Central passaram a esperar mais dois cortes de 0,25 ponto, um em novembro e outro em dezembro.

A mesma edição do Focus elevou a projeção de inflação para 2026 a 5,22%, acima do teto da meta. É essa combinação, juros em queda com inflação esperada subindo, que deixa a reunião de novembro menos óbvia do que parece.

Os sinais que pesam a favor de um novo corte

  • Atividade mais fraca: o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, metade do ritmo do primeiro, e o consumo das famílias recuou 0,4%.
  • Juros reais elevados: mesmo com cinco cortes, a Selic segue em nível considerado restritivo, o que dá espaço para continuar o ajuste gradual.
  • Comunicação aberta: o Copom não fechou a porta para novas reduções, apenas condicionou o ritmo aos dados.

Os sinais que pedem cautela

  • Inflação voltou a subir em setembro: depois da deflação de 0,40% em agosto, puxada pelo bônus de Itaipu na conta de luz, o IPCA-15 de setembro subiu 0,70%. Em 12 meses, a prévia da inflação acumula 4,47%.
  • Petróleo caro: o barril do Brent passou de US$ 100 em setembro, com a tensão entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz, o que pressiona combustíveis e fretes.
  • Expectativas acima da meta: projeções de inflação subindo costumam deixar o Banco Central mais cauteloso para acelerar cortes.

Cenários para a decisão

Corte de 0,25 ponto, para 13,50%: é o cenário em linha com o Focus. A tendência é de pouca reação nos preços dos ativos, já que o movimento está amplamente esperado. O mercado vai olhar com mais atenção para o comunicado, em busca de pistas sobre dezembro.

Pausa em 13,75%: seria uma surpresa. Uma interrupção do ciclo indicaria que o Banco Central ficou mais preocupado com a inflação de setembro e com o petróleo, e tende a pressionar os juros futuros para cima.

Corte maior, de 0,50 ponto: é o cenário menos provável, dado o tom cauteloso do último comunicado e as expectativas de inflação acima da meta.

O que observar até a reunião

  • O resultado do IPCA de outubro e as novas edições do Boletim Focus, que saem toda segunda-feira.
  • O comportamento do dólar e do petróleo depois do segundo turno das eleições.
  • Discursos de diretores do Banco Central, que costumam calibrar as expectativas antes da decisão.

O que muda para o investidor

Para quem está na renda fixa pós-fixada, como Tesouro Selic e CDBs atrelados ao CDI, o rendimento acompanha automaticamente cada decisão. Um corte de 0,25 ponto reduz pouco o retorno no curto prazo, e a Selic segue em patamar alto para padrões históricos.

Títulos prefixados e atrelados ao IPCA são mais sensíveis às expectativas. Se o Copom sinalizar que os cortes vão continuar, esses papéis tendem a se valorizar. Se a inflação mudar o tom do comunicado, o movimento pode ser o contrário. Para quem pretende levar o título até o vencimento, essas oscilações de curto prazo não alteram a rentabilidade contratada.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de produto. Rentabilidade passada não garante resultados futuros e condições de crédito variam conforme análise de cada instituição. Antes de decidir, avalie seu perfil e consulte um profissional habilitado.
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Camila Peixoto

Analista Financeira e Redatora

Economista formada pela USP com certificação CEA (ANBIMA). Especialista em criptoativos e finanças pessoais, com experiência em análise de produtos financeiros e cartões de crédito.

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