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Eleições 2026 e investimentos: o que acontece com a bolsa, o dólar e a renda fixa em ano eleitoral

O segundo semestre de 2026 começou com um ingrediente que sempre mexe com o mercado financeiro brasileiro: a eleição presidencial. Com o primeiro turno marcado para outubro, investidores já sentem os efeitos da incerteza política sobre os preços dos ativos.

Dados históricos mostram que a volatilidade média do Ibovespa sobe de 20,91% em anos normais para 23,93% em anos de eleição presidencial. A oscilação se concentra no segundo semestre, quando a campanha ganha intensidade e as pesquisas de intenção de voto passam a influenciar diretamente as decisões de alocação.

O que já aconteceu em 2026

Em agosto, R$ 15,63 bilhões em capital estrangeiro deixaram a bolsa brasileira em um único mês. O Ibovespa chegou a acumular queda de 6,5% em onze pregões consecutivos, a pior sequência desde 2021. A recuperação na segunda quinzena do mês devolveu parte das perdas, mas o saldo final ficou negativo em 0,33%.

O dólar oscilou entre R$ 5,05 e R$ 5,25 ao longo do terceiro trimestre, uma faixa mais ampla do que o habitual. A curva de juros futuros, que reflete as expectativas do mercado para a Selic nos próximos anos, ganhou inclinação, sinal de que os investidores estão exigindo prêmio maior para carregar risco.

Por que o mercado reage às eleições

A explicação não é simplesmente política. O que o mercado precifica é a política fiscal: o conjunto de decisões sobre gastos públicos, arrecadação e trajetória da dívida que o próximo governo adotará.

O Brasil combina dois riscos simultâneos que preocupam investidores: uma dívida pública em trajetória ascendente e uma eleição que pode mudar radicalmente a orientação fiscal do país. Quando o mercado não consegue antecipar qual será a direção, ele cobra mais caro para financiar o governo e as empresas.

Propostas vistas como expansionistas (aumento de gastos sem contrapartida de receita) tendem a pressionar juros futuros para cima e o câmbio para baixo. Sinais de responsabilidade fiscal, por outro lado, costumam reduzir o prêmio de risco e fortalecer o real.

Renda fixa: a favorita do ano eleitoral

Historicamente, a renda fixa pós-fixada é o porto seguro dos investidores em anos de eleição. Com a Selic a 14%, títulos atrelados ao CDI entregam retorno alto sem exposição à volatilidade dos mercados de risco.

Títulos prefixados e atrelados à inflação (IPCA+) podem oscilar bastante durante o período eleitoral, já que seus preços refletem as expectativas para juros e inflação futuros. Para quem pretende carregar até o vencimento, a oscilação de curto prazo não importa. Para quem pode precisar do dinheiro antes, a marcação a mercado pode gerar surpresas desagradáveis.

Bolsa: seletividade é a palavra

Na renda variável, os setores mais sensíveis ao ciclo político sofrem mais. Estatais como Petrobras, Banco do Brasil e Eletrobras tendem a oscilar conforme as pesquisas, já que mudanças na política de dividendos e na governança estão no radar dos investidores.

Empresas exportadoras, com receita em dólar, funcionam como proteção parcial contra a volatilidade doméstica. Vale, Suzano e JBS são exemplos de companhias que se beneficiam quando o real se desvaloriza.

O setor financeiro, especialmente os grandes bancos privados, costuma ser mais resiliente em períodos eleitorais. A geração de receita atrelada aos juros altos e a menor dependência de decisões governamentais tornam esses papéis menos voláteis.

O que a história ensina

Nos últimos cinco ciclos eleitorais brasileiros, o Ibovespa encerrou o ano eleitoral em alta em três ocasiões e em queda em duas. A volatilidade foi maior nos meses que antecederam o pleito, mas em todos os casos o mercado se estabilizou nos seis meses seguintes à posse do novo governo.

A principal lição é que vender tudo e esperar a eleição passar raramente é a melhor estratégia. Os investidores que mantiveram suas posições e aproveitaram quedas para comprar a preços descontados obtiveram retornos superiores no médio prazo.

Como se posicionar

Manter uma parcela relevante em renda fixa pós-fixada garante tranquilidade independentemente do resultado. Reduzir a concentração em estatais e setores regulados diminui a exposição ao risco político direto. Diversificar entre setores exportadores, bancos privados e empresas de consumo essencial equilibra a carteira.

Para quem tem apetite ao risco, os períodos de maior volatilidade costumam criar oportunidades de compra em ações de qualidade a preços deprimidos. A ressalva é que essas oportunidades exigem disciplina e horizonte de pelo menos 12 meses para se materializarem.

RO

Rafael Oliveira

Jornalista e Analista de Mercado Cripto

Jornalista especializado em tecnologia e mercado financeiro com 5 anos de cobertura do ecossistema de criptomoedas. Graduado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP), com pós-graduação em Economia Digital pela FGV. Responsável pela cobertura de notícias, análises de mercado e tendências do setor cripto no CryptoWorld.