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Stablecoins no Brasil em 2026: USDT, USDC, BRL1 e as novas regras do Banco Central

Stablecoins são criptomoedas criadas para manter valor estável, normalmente atreladas a uma moeda como o dólar ou o real. Elas servem de ponte entre o sistema financeiro tradicional e o mercado cripto e, no Brasil, ganharam uso em remessas, proteção cambial e operações dentro das corretoras.

O mercado global de stablecoins somava cerca de US$ 302 bilhões em meados de outubro de 2026, depois de ter batido recorde perto de US$ 322 bilhões em maio. Duas moedas concentram quase 85% desse total: USDT e USDC. No real, a principal opção é a BRL1.

USDT: a maior e mais líquida

Lançada em 2014 pela Tether, a USDT é a maior stablecoin do mundo, com valor de mercado de cerca de US$ 183 bilhões em outubro de 2026. É também a mais negociada nas corretoras brasileiras, o que garante liquidez alta e spreads menores.

O ponto de atenção é a transparência. Em 2021, a Tether fez um acordo com a CFTC, órgão regulador de derivativos dos Estados Unidos, por ter divulgado informações imprecisas sobre as reservas que sustentavam a moeda. Desde então, a empresa publica atestados periódicos sobre os ativos que dão lastro à USDT, mas parte do mercado ainda vê esse histórico como um risco.

USDC: mais transparência, menos liquidez no Brasil

Emitida pela Circle desde 2018, a USDC é a segunda maior stablecoin, com valor de mercado de cerca de US$ 73 bilhões em outubro de 2026. As reservas ficam em dinheiro e em títulos de curto prazo do Tesouro americano, e a empresa divulga atestados mensais sobre esses ativos.

A USDC também já perdeu a paridade. Em março de 2023, com a quebra do Silicon Valley Bank, onde a Circle mantinha parte das reservas, a moeda chegou a ser negociada bem abaixo de US$ 1 por alguns dias antes de se recuperar. No Brasil, a liquidez da USDC é menor que a da USDT, o que pode significar spreads um pouco maiores.

BRL1: a stablecoin em real

A BRL1 foi lançada em 2024 por um consórcio formado pelas corretoras Mercado Bitcoin, Foxbit e Bitso e pela provedora de liquidez Cainvest. Cada token vale R$ 1 e é lastreado em reais e em títulos públicos federais, como o Tesouro Selic, mantidos em instituições financeiras reguladas.

A moeda começou a circular nas redes Ethereum e Polygon, com emissão inicial de R$ 10 milhões. A proposta é facilitar transferências entre plataformas e permitir operações em real dentro do ecossistema cripto, sem a necessidade de converter para dólar.

O que mudou com as regras do Banco Central

Desde 2 de fevereiro de 2026 estão em vigor as Resoluções 519, 520 e 521 do Banco Central, publicadas em novembro de 2025. A Resolução 521 é a que mais afeta quem usa stablecoins atreladas ao dólar: ela passou a tratar como operação de câmbio a compra, a venda e a troca de ativos virtuais referenciados em moeda estrangeira, além de pagamentos e transferências internacionais feitos com esses ativos.

Transferências de e para carteiras de autocustódia também entraram nessa classificação, para fins de registro e informação. Isso não torna a autocustódia proibida, mas reforça a importância de guardar o histórico de cada movimentação. A norma ainda limita a US$ 100 mil por operação os pagamentos ou transferências internacionais com ativos virtuais quando a contraparte não é uma instituição autorizada a operar câmbio.

Usos práticos para o brasileiro

  • Proteção cambial: manter parte da reserva em stablecoins de dólar é uma forma de exposição à moeda americana, com a vantagem de movimentar a qualquer hora.
  • Recebimentos do exterior: freelancers e empresas usam stablecoins para receber de clientes estrangeiros, agora dentro das regras de câmbio.
  • Operações em real: a BRL1 atende quem quer manter saldo em real dentro do ambiente cripto, sem passar por conversões.

Riscos a considerar

  • Perda de paridade: USDT e USDC já foram negociadas abaixo de US$ 1 em momentos de estresse, como em maio de 2022 e em março de 2023.
  • Risco do emissor: o valor depende da qualidade e da guarda das reservas de cada empresa.
  • Tributação: trocar ou vender stablecoins com lucro conta como alienação de criptoativo e segue as regras de ganho de capital da Receita Federal.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento, consultoria financeira ou oferta de produto. Rentabilidade passada não garante resultados futuros e condições de crédito variam conforme análise de cada instituição. Antes de decidir, avalie seu perfil e consulte um profissional habilitado.
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Lucas Andrade

Editor-chefe e Especialista em Criptoativos

Jornalista com pós-graduação em Economia Digital e mais de 8 anos de experiência cobrindo mercados financeiros e tecnologia. Responsável pela linha editorial e revisão de conteúdo do CryptoWorld.

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